
O Arcade Fire mostra em 2007 que não é só Beatrix Kiddo que sobrevive ao funeral. A banda canadense acaba de lançar o sucessor do seu début de 2004. E, no mínimo, mantém o excelente nível.
Aos que viraram fiéis depois de ouvir o disco anterior, deve-se dizer que Neon Bible é o mais próximo de uma experiência “normal” que o grupo pode oferecer. Ou seja, estão presentes os principais elementos de Funeral: há as músicas em crescendo que você aprende sem perceber o refrão depois de ouvir algumas vezes (Ocean Of Noise, Windowsill), as com introduções animadas e quebras de ritmo (The Well and The Lighthouse, Black Wave/Bad Vibration), as que te convertem à primeira audição (Black Mirror e Keep The car Running, que não foram escolhidos singles por acaso) e até experiências com ritmos e instrumentos pouco usuais (é um banjo em Building Downtown ou isso é só impressão minha?). Para aumentar a familiaridade, tem também No Cars Go, já mais que conhecida. E que mais que merecia a regravação.
Principalmente, há nele o que sobrava em seu predecessor. Emoção. Transbordante.
Um aparte: o início de Intervention tem o melhor uso de órgão desde Sebastian Bach. O Johann, não o outro. O que só contribui pra atmosfera religiosa da coisa toda.
Religiosa, sim. Os shows da banda já foram comparados a cultos, alguns inclusive foram realizados em igrejas, há referências claras no nome do disco e em trechos de músicas (Working for the church, while your family died). E,pra completar o álbum é divino. Daqueles que vai dividir os fãs em dois grupos: os que preferem o primeiro e os que acreditam mais no segundo. Ou ortodoxos e reformistas, como vocês preferirem.

Pregando a boa-nova. E eles prometem voltar a esse país de infiéis. Regozijai!
Aproveitem que tem link pra um torrent dele aí embaixo. Pecado é não aproveitar.
P.s.: Teve um outro cara que sobreviveu ao funeral, dizem. Mas vão me acusar de heresia se eu comparar uma banda, mesmo o Arcade Fire, a ele.
