
O Libertines tem um lugar meio inusitado no meu histórico musical. É que eles foram personagens do que considero a maior heresia em uma escalação de festival a que assisti, quando tocaram depois de um acachapante Primal Scream (no TIM Festival de 2004). Nem saberia dizer se foi um bom show - mas duvido, a banda estava no meio do turbilhão de problemas que levou ao seu esfacelamento - porque meus ouvidos não estavam mais funcionando a contento.
Mas esse post não é pra falar de Bobby Gillespie e cia., e sim do Libs. Na verdade, é mais pra dizer que quando Pete Doherty saiu da banda para se dedicar aos tablóides ficou um vácuo. O Libertines implodiu, mas ficou a demanda por aquele rock sujo e pegajoso feito chão de boate na zona portuária. E, não deu outra. Dá pra ouvir Libertines em muita coisa que tem aparecido por aí.
Uma banda legal deu duas fraquinhas. Mas inspirou outras bem interessantes.
E o mais engraçado é não são as bandas dos ex-libertinos que estão fazendo isso melhor. O Babyshambles é no máximo um passatempo que a gravadora deve bancar pra tentar fazer Pete Doherty chegar aos 30*, e o Dirty Pretty Things dos outros ex-membros lançou um disco mediano que só provou que era realmente o menino-problema da Inglaterra quem fazia a banda funcionar.
Mas quem curtia o som não precisa se preocupar. Se tem uma coisa que não parece em falta no novo rock inglês é bandas postulando o cargo de “Novo Libertines” (eu já avisei que curto esses rótulos).
Fratellis
Henrietta parece pacas com músicas como Up The Bracket. Mas aí, poderia ser assim nas mais animadas, né? Mas aí você pega uma mais calma, como Whistle For The Choir e parece com… uma música calma do Libertines. Ah vai, eles usam até os chapéus iguais.
Com 2 singles muito bem-vendidos lá fora e um álbum lançado em Setembro, a banda de Glasgow deve ser a que melhor se aproveitou do espaço aberto - e da demanda não satisfeita - pela separação de Pete e Carl.
Henrietta, primeiro single da banda.
The Rifles
Indo pra uma linha um pouco mais calma, mas sem perder os riffs, refrões e ritmo acelerado, o Rifles vem fazer uma ponte entre o som do começo dos anos 00 com o do fim dos anos 90. Tem melodias bem britpop ali, uma música lembra Ash, outra Lush. Só que tá acelerado. Pacas.
Vídeo de Peace & Quiet
Larrikin Love
Essa é a maior forçação de barra dessa lista. É que no som do Larrikin Love não tem tanto Libertines quanto em outras bandas. Mas é que também, tem pouca coisa que não tem no som dos caras. Eles vão do quase-ska (com ecos de Specials em Meet Me By The Getaway Car) até quase-música celta (em It’s A Long Way Home To Donegal). Mas algumas de suas melhores músicas tem elementos que a aproximam das outras bandas citadas aqui.
E além disso, eu tava já esperando uma oportunidade pra falar deles.
Vídeo de Downing Street Kindling
The Holloways.
Left Feet foi a música que me deu a idéia desse post. Tá, o vocal é um pouco mais limpo. É como o Libertines soaria se Pete Doherty não tivesse passado os últimos cinco anos under the influence.
Além disso, o fato do disco deles se chamar So This Is Great Britain me lembra que o Doherty tem uma música do começo dos Babyshambles chamada Albion. Eu já disse que faço associações nada a ver.
Vídeo de Two Left Feet
Eu comecei a listar bandas pra esse post e não pararam de me ocorrer nomes. Pra não ficar extenso demais, separei quatro que já tem disco lançado. Poderiam ter entrado bandas como Bromheads Jacket, The Pigeon Detectives, Milburn, Good Shoes… Todo dia aparece uma nova. E se você achar que faltou alguma, sugere aí.
E, por fim, fica a dúvida. De que banda dessas sai o novo namorado da Kate Moss? Já que o Pete Doherty não chega aos 30.
*Ou não. Pode ser também um jeito de mantê-lo viciado e fazê-lo virar mártir. Também funciona.
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