
Que se fodam os detratores. Que se fodam os que não acreditam que é não há mais bandas de rock boas surgindo por aí.
Dito isto, vamos falar sobre o show do TV on the Radio. Não tinha como ser bom. Se ano passado o show foi cancelado pela morte do pai de Tunde Abedimpe, esse ano a American Airlines tentou sabotar com o extravio da aparelhagem da banda (que tocou com instrumentos gentilmente emprestados pelo Thievery Corporation).
Ainda assim, a banda conseguiu fazer uma apresentação incrível. Se por um lado não estar tecnicamente perfeito — o sax quase não aparecia; o taciturno Kip Malone estava visivelmente mau humorado, ainda mais depois de tentar entrar no evento pela entrada do público e ser barrado pelos seguranças (isso aconteceu na minha frente, quando eu estava entrando); David Sitek passou pelo menos um quarto do show agachado tentando ajustar o timbre da guitarra e os pedais, antes de ter o amplificador substituido — era intensa a energia que emanava do palco, com Tunde Abedimpe em estado de graça com a calorosa resposta do público cada música, numa perfeita sinergia.
Eu mesmo não esperava ver um público tão agitado. Não foi como no ano passado, quando o Arcade Fire se assustou com o público insandecido, mas eu não esperava que a resposta ao TV on the Radio (que tem uma sonoridade mais difícil de ser apreciada e não tem nenhum disco lançado no Brasil) fosse tamanha a ponto de, no final do show, literalmente quase porem a baixo o Tim Lab com tamanho pisoteamento da pista e batidas na grade que separava público do palco — o que fez com que a banda do Brooklin voltasse ao palco para um bis não planejado (o que não aconteceu com o Arcade Fire ano passado, apesar do clamor do povo).
No bis, uma curiosidade: David Sitek na bateria, tocando “Bomb Yourself”.
Confesso que me surpreendi com o som deles ao vivo. Sou fã dos discos deles, mas já havia escutado algumas gravações ao vivo e achei fraco, sem a profundidade e texturas sônicas e nuances das gravações de estúdio, de modo que estava com um pé atrás em relação ao show. Mas enfim, a performance deles foi um deleite sonoro de onze músicas, uma tradução muito fiel das sensações gravadas em disco (muitas vezes com auxílio da eletrônica, totalmente tocada com instrumentos humanos).
Vídeos que gravei da fila do gargarejo:
“Staring at the Sun”
“Wolf Like Me”
“Dreams”
Tem mais vídeos nesse profile do Youtube.
