
Assim me sinto depois de escutar o novo álbum do … And You Will Know Us By The Trail of Dead, misteriosa banda de Austin, TX (o mistério fica por conta da quantidade de mentiras que os caras contam, sobre suas origens, influências etc).
So Divided é disco é o quinto da banda, e o terceiro pela major Interscope. Depois de dois discos melódicos e furiosos (remetendo a Sonic Youth e Mission of Burma), o primeiro pela gravadora foi o excelente Source Tags & Code, um dos melhores discos da década e de todos os tempos, uma das raríssimas notas 10,0 da Pitchfork, meu disco predileto e a perfeita combinação entre indie rock, experimentalismo, punk, space rock com uma pitada de dream pop. Em seguida, veio a apreensão da “obra seguinte”, e a decepção de Worlds Apart, um trabalho pretensioso, pouco coeso e que teve reações medianas da crítica e público.
Estava criado o cenário para o lançamento do quinto álbum: se por um lado os fãs ansiavam pelo próximo passo, a mídia não mostrava tanto interesse (afinal, a seqüência de uma obra-prima chama atenção, e não a de um fiasco). A crescente tensão no relacionamento entre a banda e a gravadora (acusações de pouca promoção, pouco espaço na mídia etc) levou ao adiamento da data de lançamento do dia 3 para o dia 24 de outubro, e depois para o 14 de novembro, e isso culminou na decisão da banda deliberadamente vazar o álbum na data inicial para o lançamento.
O disco novo é o mais fraco: não dá para sacar se o disco é realmente sério, apontando para os novos rumos da banda (no caso, os anos 60 e 70 e o rock progressivo), ou se o disco é uma piada deliberada contra a gravadora, na qual eles tentam emular Pink Floyd e Beatles sem perder seus fãs. Talvez a maior qualidade do AYWKUBTTOD era saber dosar momentos de calma com tremendos esporros, e em So Divided eles não acertam a mão (os constrastes são tão grande que soam caricaturas de Pink Floyd). E até mesmo no irregular disco anterior havia bons momentos (”Caterwaul”, e em menor escala as razoáveis “Worlds Apart”, “Rest Will Follow” e “All White”). A única música do novo disco que realmente salta aos ouvidos é “Witches Web”, que na verdade é uma regravação de um antigo lado B.
Enfim, fico dividido entre achar que Source Tags & Code foi o trabalho de uma banda genial ou mero acidente de percurso. Enfim, o fato é que este disco existe, e por ele serei eternamente grato a essa banda. Após o iminente rompimento com a gravadora, resta saber se ainda sobrará alguma força criativa ousada o suficiente para tentar fazer um novo álbum que ao menos faça juz ao que eles já foram um dia.
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