
2005: pro hype, foi há muito tempo. Pro Janco Tianno, é démodé. Para quem tem mais o que fazer, foi só mais um ano.
Listas de melhores do ano só servem para aqueles que se masturbam em cima de seus conhecimentos sobre assuntos que lhe agradam (discos, filmes, livros, gols, vinhos etc). Não tem nenhuma utilidade — prática ou teórica — para a maioria dos mortais; não melhoram em nada o mundo. Por exemplo: A Ghost is Born do Wilco — dito o melhor de 2004 –, não serve nem pra limpar a bunda do Lou Reed — que fez o melhor álbum de 1967, Velvet Underground & Nico, batendo Sgt Peppers e Their Satanic Majesties’ Request. Aliás, dá vergonha supor que o Jeff Tweedy está no mesmo patamar de Brian Jones e Paul McCartney. Mesmo até do Ringo.
Em suma: se a qualidade da produção musical fosse tal que se lançasse uma obra-prima por ano, talvez fosse relevante listar os melhores de cada década. Talvez.
Bem, chega de digressão e vamos ao ponto deste post: os piores de 2005. Não lembro de nada do ano passado digno de ser camp (algo tão ruim que seja bom, como o filme “Showgirls“), ou algo tão ruim que seja melhor se esquecer (er… na verdade teve Matisyahu, mas essa anomalia do pop faço questão de fingir que não existe). Mas como esse site não estava no ar ano passado, e sendo sempre válido relembrar os erros do passado para não cometê-los novamente no futuro, escutem esses discos e aprendam o que não deve ser feito em matéria de música.
Moby - Hotel

Odiamos o Moby porque:
1) ele é cristão vegan, tem uma loja de chá e faz questão de afirmar isso a cada nova oportunidade;
2) ele é baixo, magro, careca, não sabe cantar e já pegou a Natalie Portman.
3) os publicitários o amam, tanto que 12 de cada dez comerciais do fim dos anos 90 / começo de 00 tinham uma música do Play (simplesmente todas as músicas do álbum foram licenciadas para algum comercial, e eram 18 faixas);
4) porque ele é, ao lado do Paul Oakenfold, o DJ mais hi-profile do mundo.
Na verdade, o único motivo pelo qual gostamos dele é porque o Eminem é seu inimigo declarado — e tudo que um rapper WASP do mainstream odeia deve ser bom. Se bem que o Moby nunca abriu a boca para defender sua honra ante as provocações do desafeto.
Se por um lado as músicas (as populares) do Moby são todas iguais, temos que concordar que elas funcionam — seja para criar um clima dramático, seja como trilha sonora não-enervante para lounges fino, seja como música de aquecimento em aulas de teatro amador. O problema é justamente quando ele fecha o “Moby Song Generator” do seu computador e se arrisca a fazer as coisas no braço; desce quadrado, machuca os ouvidos e não pega nem com macumba. A primeira vez que cometeu isso foi em 1997, com o disco Animal Rights, que fechava com “That’s When I Reach for my Revolver”, do Mission of Burma. A música, a mais emblemática do grupo, um denso e emocionante hino sobre o conformismo, é executada por Moby com bateria eletrônica do teclado de um cantor de churrascaria, e com empolgação, vibração e sinceridade que fariam qualquer cantor do Ídolos parecer o Iggy Pop.
Animal Rights foi tão ruim para a carreira do Moby que ele teve que fazer um upgrade no seu programa, criando o “Moby Song Generator 2.0″, responsável pela gravação de Play e 18, sem dúvida, pela transformação do nome Moby no que ele significa atualmente. Talvez querendo relembrar o gosto do fracasso, Moby mais uma vez abriu mão de seu programa e lançou Hotel, seu primeiro disco sem qualquer sample, no qual ele gravou todos os instrumentos (menos bateria), adotando uma pose mais “rockeira”. O resultado é um conjunto de faixas sem coesão (a não ser pela ruindade), marcado por letras mongolóides (como em “Beautiful”, sobre o amor entre celebridades), canções “politizadas” com a pegada de um Jota Quest tentanto ser pesado (”Lift Me Up”) e outra vez, uma tentativa fracassada de cover (”Temptation”, uma das músicas grudentas do New Order, transformada em uma coisa broxante sem emoção com uma voz feminina de dar sono).
Não bastasse tudo isso, a primeira edição continha um CD bônus de música ambiente inspirada em… hotéis (antes a inspiração fosse motéis, corria o risco de ser mais empolgante). O CD é tão desesperadamente chato que a única desculpa para sua existência é se for dedicado a pessoas com insônia por conta de jet-lag.
Weezer - Make Believe

Imagina a cena: você está casado há 15 anos e descobre a sua mulher na cama com outro. Não bastando isso, quando ela abre a boca confessa que está com aids há pelo menos 10 anos. Se eu fosse fã do Weezer, me sentiria assim quando escutei Make Believe. Como não sou, foi só como se Rivers Cuomo tivesse me dado uma tijolada na cabeça — se não matou, pelo menos serviu de aviso para nunca mais chegar perto de qualquer coisa ligada ao nome Weezer.
O lançamento do álbum foi mais ou menos como uma declaração do papa de que Jesus não existiu: um atestado da autoridade máxima sobre a banda (no caso, próprio Cuomo) de que tudo foi uma fraude, que o Blue Album e Pinkerton foram exceções, erros de percurso, e que o lance mesmo é rock farofa ruim. Aliás, só se enganou quem quis: antes do Weezer, Cuomo era guitarrista de uma banda de hair metal, o Avant Garde.
O disco parece uma sucessão de piadas de mal gosto atrás da outra. “Beverly Hills” tem a letra parece um tipo de piada interna que apenas os milionários podem entender, cantada sobre uma base plagiada de “We Will Rock You” e “I Love Rock’n’Roll”. “We’re All On Drugs” é provavelmente o ponto mais baixo da carreira da banda. É o tipo de canção que você esperaria de alguém que já se picou com tudo (Tommy Lee, Peter Doherty), e o fato de vir de alguém que alega ser um mestre iôgue naturalista formado em Harvard serve como evidência de que há coisas que causam mais danos ao cérebro que crack (no caso, seja lá o que o Cuomo toma no café da manhã).
O golpe derradeiro é “This is Such a Pity”: a música começa e você pensa: “Uau, pelo menos uma música boa, apesar dos arranjos de teclados completamente anos 80. Mas sabia que o Rivers ainda fazer refrões, não ia me decepcionar totalmente”. Aí chega o solo, com um duelo de guitarras que parecem retiradas da trilha sonora de “Top Gun“. Pronto, a gargalhada final de Rivers Cuomo e Rick Rubin (produtor do álbum, que já havia cometido “Walk This Way” do Run DMC com Aerosmith, e alguns discos do Danzig, Red Hot Chili Peppers, Slayer e Sistem of a Down — dá para sentir um certo padrão nas atrocidades cometidas, certo?).
… ainda falta The Dandy Warhols - Odditorium or Warlords of Mars
volte mais tarde!
