A essa altura, todo mundo já sabe que Crazy, do Gnarls Barkley, é a Hey Ya do ano, séria concorrente ao título de melhor do ano, e possivelmente a melhor música pop* da segunda metade desta década. Mas esse ano (que ainda está meio longe de terminar) também já produziu algumas músicas horrendas, daquelas que você sente inveja de quem é surdo e que quando toca dá vontade de enforcar o DJ (sem trocadilho). Eis a lista de piores músicas de 2006, até o momento (coincidência ou não, a grande maioria têm nomes de quatro palavras).

Super Massive Black Hole, Muse: todo mundo sabe que Matt Bellamy (aliás, que porra de nome gay, literalmente) é um punheteiro, trabalhando à exaustão em todas as músicas a mesma fórmula de riff pesado + virtuosismo desnecessário + vocais sussurrados à la Thom Yorke resultando em um über-Radiohead sem talento para criar ao menos uma melodia decente. Mas eis que em 2006, quando os fãs esperavam mais do mesmo eles lançam esse single, algo de fato diferente de tudo que fizeram até agora. Mas diferente não significa melhor, e em verdade, Super Massive Black Hole é tudo menos melhor que qualquer outra coisa. Pegue uma base do De Falla — riff e batida, da fase miami rock –, vocal falsetto à la Prince, adicione um pouco da sensualidade e ginga do Suede da fase decadente e voilà, a pior mudança de rumos artísticos da década.

Get Myself Into It, The Rapture: o Rapture foi a grande surpresa do Tim Festival 2003, uma boa compensação ao show frustrante do White Stripes e ofuscando os sempre chatos do Super Furry Animals. Só depois escutei o disco de estréia deles, Echoes, e percebi que não era lá essas coisas, e se tivesse escutado antes provavelmente teria tirado a hora do show deles para ir ao banheiro (como pelo menos metade do público fez). Get Myself Into It não é horrenda, mas não empolga, é repetitiva como as outras do primeiro disco, e me faz concluir que se não fosse a onda disco punk a arrastá-los, eles não estariam em lugar algum.

When We Were Young, The Killers: admitir que o Killers tem boas músicas é tão difícil quanto admitir que você gosta de Skiny — é uma coisa detestável, mas há algo ali (provavelmente Glutamato Monossódico) que dá um sabor irresistível a nojenta mistura. Pior ainda é admitir que em Hot Fuss havia uma música boa (admito, gosto de “Smile Like You Mean It”) e pelo menos outras 6 passáveis (grande mérito em época de bandas com uma ou duas músicas — sejamos sinceros: alguém gosta de outra coisa do We Are Scientists que não The Great Escape ou Nobody Move nobody get Hurt?) Enfim, a música nova é a confirmação do quanto eles são ruins. Se as músicas do disco anterior pelo menos eram catchie, essa música não pega nem com macumba, impossível de gravar na cabeça de primeira. Se bem que isso pode até ser bom.

Because I Want You, Placebo: confesso, fui fanático pelo Placebo. Ainda gosto muito dos dois primeiros álbuns. Mas a fama fez mal, provavelmente atrofiando a criatividade de Brian Molko, tentando ser mais pop e piorando a cada disco. Because I Want You é quase um resumo dos argumentos dos detratores da banda. Uma letra estúpida, rimas mongóis, vocal anasalado da Sra. Molko, refrãozinho catchie vagabundo. Soa como o que uma banda de moleques de 15 anos faria tentando imitar Placebo.

Alguma música do Eraser, de Thom Yorke: Pegue o Kid A e tire todas as guitarras; pronto, você tem o álbum mais chato do Radiohead. Isso é Eraser.

* tradução da expressão “boa música pop”: aquela que você escuta 20 vezes seguidas sem cansar, que não vai soar datada ano que vem e que quando tocar daqui a 15 anos você não vai ter vergonha de admitir que gostava.

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