Archive for the 'Papo Furado' Category
O que dois minutos em sites de notícias não fazem :
1 - Sobre Keith Richards:
“…Na entrevista, Richards disse à NME: “Qual é a coisa mais estranha que já tentei cheirar? Meu pai. Cheirei meu pai. Ele foi cremado, e não resisti à tentação de moer um pouco dele com o pó (a cocaína)… A coisa foi bem, e eu ainda estou vivo…””
Como assim “cheirei meu pai”?? Fantáááástico.
2 - Sobre Rambo Balboa:
“Depois da boa recepção que recebeu em sua volta aos ringues cinematográficos com Rocky Balboa, Sylvester Stallone quer levantar sua carreira como ator. Confirmando os boatos de meses atrás, produtores ligados ao astro deram como certo seu envolvimento no novo projeto de Quentin Tarantino ( Kill Bill), Inglorious Bastards…”
O detalhe é a chamada pra noticia : “Stallone quer atuar em filmes sérios como de Tarantino”. Parei. Filmes SÉRIOS como de Tarantino? Em que mundo??
Por que ninguém deu uma Estrela da Fama para Cicciolina? E, falando nisso, alguém já ouviu as músicas dela?
Todo esse bafafá sobre 300, e meio que esqueceram que tudo é baseado em um história real (será?) Se fidelidade já não era o que Frank Miller buscava no original, me leva a outra pergunta: fiel a que? A visão de Heródoto?
Enfim, só agora percebi o quanto gostei de Criação, do Gore Vidal. Apesar de não ser nenhum entusiasta de romances históricos, me dei conta agora do quanto o livro é bom.
“Criação” são as memórias de Ciro Espítama contadas para o sobrinho neto Demócrito (que viria a se tornar o filósofo grego). Já velho, cego e um tanto amargo e hirônico, Ciro faz um um contraponto à História de Heródoto, narrando suas viagens e sua busca por uma explicação para a “criação”.
Neto de Zoroastro e amigo de infância do rei Xerxes, Ciro é um quase-nobre (por conta do prestígio do avô), e por conta de sua cultura (e amizades) se torna embaixador da Persia, sendo enviado para a Catai (China antes de ser China, então diversos países em constante guerra), Índia (antes de ser Índia), Grécia (apenas no amanhecer da cultura que a tornaria importante para a civilização ocidental).
Apesar de ser enviado por motivos políticos e econômicos, o real interesse de Ciro em suas viagens é a sua busca por respostas sobre a existência. Por conta disso, ele conversa pessoalmente com Lao-Tsu, Confúcio, Mahavira, Buda e Socrates, os homens que viriam a marcar a cultura ocidental e oriental.
O livro acaba sendo um extenso e pretenso curso de religiões pré-cristãs e história alternativa. Mas muito bem escrito, um tanto cínico é com um bom-humor cáustico.
Eu recomiendo.

Um vídeo misturando a série predileta do Janco Tianno com a música preferida dele.
Enjoy até enjoar!

Quem não é fãs dos Stones? Digo, quem não curte nem ao menos uma música?
Bem, o pessoal do Pussy Galore (banda anárquica dos anos 80, de onde saiu o Jon Spencer — o cara da Blues Explosion) era tão fã dos Stones que prestou uma homenagem regravando faixa-a-faixa o Exile on Main Street, tido como o melhor álbum da banda.
Bem, escutem por sua conta e risco. Link aqui, no Rapidshare.

um novo album do Arcade Fire tão bom quanto o primeiro.
um novo album do The Postal Service menos pop.
um novo album do All Girl Summer Fun Band que será o melhor de 2007.
um novo album do The Icicles com muito teclado.
um novo album do Annemarie com mais sotaque.
um novo album do Of Montreal mais doido ainda.
e que não lancem albums novos da Mariah Carey (2??!!), do Axl Rose e do Caetano Veloso.
AH! Um novo album do Kasino também!

2006 foi um ano excelente. Ao mesmo tempo, foi provavelmente o ano em que menos escutei música (sem exagero, nos últimos dez anos não houve um único ano em que eu tenha escutado tão pouca música quanto em 2006). Maioridade? Trabalho? Não sei. Não vou criticar a qualidade das bandas que surgiram esse ano, tampouco vou dizer que rock bom era o rock que eu escutava na minha adolescência. Isso é papo de reacionário. Mas sinto que, sem dúvida, o fato de ter corrido pouco atrás de música me tornou um sujeito mais… hmmm… menos preocupado com música, daí menos preocupado at all (música sempre foi uma grande preocupação). Em vez de correr atrás dela, deixei ela me alcançar. Então, minha lista de melhores do ano (às vezes lista, às vezes apenas uma declaração).
Melhor disco: Return to Cookie Mountain - Tv On The Radio
Em quase toda lista de melhores desse ano, esse disco estava presente. Nas listas que eu respeito, o lançamento desse ano do TVOTR estava sempre entre os 5 melhores, mas nunca em primeiro. Exceto na lista do Beck. Beck é um dos meus maiores ídolos, mas o disco dele não tocou fundo em mim (é bom, mas não excelente). Return to Cookie Mountain é um disco que eu vou continuar escutando anos a fio, vou escutar muito ano que vem. A produção maravilhosa de David Sitek encontra composições excelentes (muito melhores que as do primeiro disco da banda ou do debut do Yeah Yeah Yeahs), os vocais de Abedimpe podiam estar recitando uma receita de bolo que me emocionariam, as texturas e o minimalismo do primeiro álbum foram elevadas à n-ésima potência.
E não vou contrariar o Beck.
Melhor música: “Rocks” - Caetano Veloso
Que outra canção tem uma frase como “Tatuou um ganesh na coxa”? Aliás, que outra música começa com “Tatuou um ganesh na coxa”? Caetano pode tudo (musicalmente falando), faz de tudo e continua soando excelente.
Quem não curtir pode morder o próprio cu.
Melhor show: New Order
O show do Caetano no Circo foi foda, mas a cada três anos no máximo podemos contar com um novo show dele no Rio. A apresentação do Franz Ferdinand também no Circo foi destruidora, mas o Franz não tem o peso e a importância do New Order — na minha vida e na vida do rock.
O show do New Order não foi perfeito, o Vivo Rio é uma merda, mas vê-los ao vivo sem serem caricaturas de si mesmos já seria compensador. Vê-los mandando muito bem, com um puta clima de despedida foi emocionante. Ver Peter Hook, Stephen Morris e Bernard Sumner em ação juntos, tocando clássicos com o mesmo vigor de quando eles foram compostos foi acachapante.
E ainda vi 75% do Joy Division tocando “She’s Lost Control”. Nunca imaginei que fosse ver isso.

Quem nunca sonhou em ter o seu personal Beach Boy? Bem, eu não. Mas agora qualquer um pode ter o seu próprio Brian Wilson por apenas U$75,00.
Isso mesmo, bonecos do Brian Wilson. E sem desordem bipolar e perfeccionismo megalômano. Pensando bem, melhor ter o boneco por perto do que o próprio homem.
Se você quiser o boneco com autógrafo, basta pagar US$150. Mas corra, a tiragem é limitada a 300 exemplares. A venda em BrianWilson.com.
fonte: Pitchfork

Eu poderia dizer que isso é só uma forma de flashmob, que é coisa de paulista, que é coisa de quem não tem mais o que fazer. Mas a verdade é que eu tenho medo de zumbis* (não de um só, mas de todo um surto deles) e achei a idéia excelente: Zombie Walk, em São Paulo, dia de finados (2/11).
E solto o plano no ar: alguém se dispõe a fazer o mesmo no Rio ano que vem?
* duas coisas me dão medo nesse mundo (ou no outro): os xenomorfos da série Alien e zumbis.

Só pra dividir isso aqui com vocês mesmo.

E atenção: o podcast da Hang the DJ volta ainda essa semana!
Mais sobre isso em poucos dias.



