Archive for August 2006

header blog janco 1 - Esse artigo foi escrito por Janco Tianno

Aleluia, irmãos! O messias voltou!

Qualquer um que tenha crescido ouvindo britpop (ou ouvido depois de crescido, dá na mesma) vai engrossar esse coro. Depois de anos dedicado à família e alguns pequenos projetos, Jarvis Cocker vai lançar um disco inteiro de inéditas!

O ex-vocalista e líder do Pulp lança em Novembro seu primeiro trabalho-solo, Running The World. Na verdade, dizer que ele voltou é um pouco demais. Desde o fim da banda que formou ainda na escola, em Sheffield, Jarvis não estava tão ativo quanto nos últimos meses. Gravou um dueto com Kid Loco para um cd de tributos a Serge Gainsbourg (a música era I Just Came To Tell You That I’m Going ou, no orginal: Je suis venu que te dire que je m’en vais), co-produziu e escreveu letras para o disco de estréia da filha de Gainsbourg, Charlotte (o recém-lançado 5:55) e até colaborou para a trilha sonora e apareceu no último filme do Harry Potter.

Mas tudo isso é pouco. Pouco para o homem que pôs fogo no (até então) bem-comportado britpop com hits como Common People e Disco 2000, que invadiu o palco durante uma apresentação de Michael Jackson numa entrega de prêmios da MTv (fazendo a festa dos tablóides, cujas opiniões variaram de “façam este homem Cavaleiro da Rainha” até “molestador!”), roubou o show numa apresentação de última hora em Glastonbury e até se comparou ao outro JC num brilhante disco com ar decadente (This Is Hardcore, o penúltimo do Pulp).

Portanto, regozijai. Jarvis Branson Cocker voltou!

No Myspace dele (ou Jarvspace, como ele prefere), você pode ouvir a antêmica Cunts Are Still Rulling The World. E também alguns podcasts, onde ele narraa contos-de-fadas islandeses(!!).

Vídeos, como sempre.

1) Common People, na tal apresentação de última hora no Festival de Glastonbury em 95. Hino:
common jarvis - Common People live @ Glastonbury \'95

2) Jarvis invadindo o palco de Michael Jackson. Anos antes do primeiro garotinho reclamar:
jarvis vs jacko - Jarvis vs Jacko

header blog dmoreaux 1 - Esse artigo foi escrito por D\'Moreaux

O santo padroeiro dos tradutores é São Jerônimo. Já os editores têm dois padroeiros: São João Evangelista e São João Bosco.

Não existe padroeiro da moda, mas São Paulo Eremita abençoa a indústria de roupas. Há diversos santos para os costureiros, mas o de melhor nome é São Homobonus.

fonte: http://www.catholic-forum.com/SAINTS/

header blog mulder 1 - Esse artigo foi escrito por Eduardo Mulder

Estava de bobeira nos blogs do mundo e li a recomendação de uma banda sueca chamada Teddybears. A banda, que começou como um projeto de grindcore chamado Skull, lançará seu primeiro álbum norte americano – Soft Machine – neste ano com um som totalmente diferente. O álbum, uma mistura de hip-hop, elementos eletrônicos e rock, é bem dançante. Possui várias participações especiais como Neneh Cherry, Iggy Pop e Annie.

Mas o que mais me chamou a atenção foi o clipe de Cobra Style. É um vídeo mashup com cenas de vários filmes antológicos cujos protagonistas recebem uma cabeça de urso! É legal ver Travis Bickle, Don Corleone e Danny Torrance presepando como ursos. A idéia do vídeo, assim como o álbum, nem é tão original, mas é divertido assistir.

Ah sim, faz parte do projeto, Joakim Åhlund, cantor e produtor da banda Caesars cujo hit é Jerk It Out que virou até trilha de novela da Globo.

Veja Teddybears - Cobra Style.
MySpace

Teddybears

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header blog dmoreaux 1 - Esse artigo foi escrito por D\'Moreaux

Enquanto o novo disco do Radiohead não vem, Thom Yorke nos brinda com um álbum completamente despido de guitarras (the eraser, um disco eletrônico chato, prentesioso e cansativo como uma foda mal dada).

O que falta de ginga, animação e originalidade no trabalho solo de Yorke pode ser encontrado em Radiodread, versão reggae do clássico OK Computer, de 1997, gravada pelo Easy Star All-Stars, mega banda formada por alguns artistas do selo nova-iorquino de reggae Easy Star.

O álbum não é um mero tributo, é uma releitura, reinvenção das músicas. Esqueça (se é que é possível) dos vocais atormentados e sussurrantes de Thom Yorke. Cada faixa é cantada por um artista diferente, dando climas completamente novos às canções.

Não é tão divertido quanto Dub Side of The Moon (releitura dub de Dark Side of The Moon, do Pink Floyd) que além de caprichar nos arranjos tinha vocais divertidíssimos, carregados no sotaque jamaicano (procure já e ouça a versão de “Time”), resultando em um quase pastiche. Em Radiodread parece que a descontração ficou meio de lado por conta dos vocais mais sérios (por exemplo, “Air Bag”, com vocais de Horace Andy — antigo colaborado do Massive Attack — ficou um pouco over).

Nem tão descontraído quando devia, nem tão trippy quanto poderia, o ponto alto de Radiodread é a versão reggae (animada, quem diria) de “Let Down”, com uns vocais meio gospel.

Quem é fã de Radiohead pode se irritar (mas não mais do que uma pessoa que goste de música se irritou com o Amnesiac) e quem não curte Thom Yorke e cia. pode dar uma nova chance às canções (que são excelentes, todas, sem exceção).

Tosh York

Na Wikipedia
No All Music

Aug 29

Duplas

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Eu tenho às vezes essa mania de colocar tag nas músicas pelo LastFM. As que eu mais usei foram soft voices, indie-pop, female vocalists e boy and girl singing. O resultado é que adoro fazer listas e sets temáticos a partir dessas tags. Aproveitando que no próximo sábado teremos dentro do Festival Minimal o show da dupla CocoRosie, faço um post temático (tchanaaaan) sobre Duplas.

CocoRosie é composto pelas irmãs Bianca e Sierra Casady. Após quase uma década sem se encontrarem as duas se trancaram no banheiro do apartamento parisiense de Sierra e começaram a experimentar várias sonoridades. Dessa experiência surgiu o projeto CocoRosie (junção dos apelidos das irmãs dados pela mãe) que mistura Psych Folk, Hip-Hop, Lo-Fi entre outros flertes musicais. Os álbuns são recheados de sons singelos (como o tecladinho de criança que imita animais, utilizado também pelo Flaming Lips), fantasmagóricos e “estranhos”. Essa mistura as enquadra no New Weird America (termo criado pelo jornalista musical David Keenan) ao lado de Antony and the Johnsons, Devendra Banhart, Danielson, Joanna Newsom, entre outros.

Veja CocoRosie – Noah’s Ark.

anthem magazine

Smoosh é formado também por duas irmãs, Asya e Chloe, e já possui três álbuns lançados. A dupla foi criada quando elas tinham menos de 10 anos com a ajuda do atual baterista do Death Cab For Cutie, Jason McGerr, na época professor de bateria de Chloe. O som pode parecer bastante simples pois as meninas utilizam apenas bateria e teclado, mas é cheio de potência, com nuances experimentais, mais fortes no segundo álbum She Like Electric, sem deixar de ser pop. É bem divertido.

Veja Smoosh – La Pump.
Veja Smoosh – Find a Way.

Mates of State é uma dupla ótima criada por Kori Gardner (voz e teclados) e Jason Hammel (voz e bateria). Possuem uma sintonia incrível e fazem um som animado, up beat e dançante. Isso tudo, como o Smoosh, com “apenas” teclado e bateria (sinceramente não sinto falta de guitarras!). Já lançaram quatro álbuns, o ultimo – Bring It Back – este ano pela Barsuk, o mesmo selo do Smoosh (hmmmm). Um show que eu gostaria muuuito de ver.

Veja Mates of State – Fraud in the 80’s.
Veja Mates of State – Ha Ha.

Depois do sucesso do Franz Ferdinand em fevereiro, o Circo Voador deu a entender que apostaria em trazer mais bandas estrageiras “não muito conhecidas”. E traz duas bandas pouquíssimo conhecidas do público brasileiro, no Sensorial e Minimal Festival, que acontecem sexta e sábado (1/9 e 2/9).

No primeiro dia apresenta-se o Tortoise, banda norte-americana de pós-rock, cuja obra prima é o disco Millions Now Living Will Never Die (particularmente a primeira faixa, “Djed”, uma odisséia sonora de mais de 20 minutos. Não conheço muito mais da banda.

A outra banda, de sábado, é CocoRosie é meio cultuada por essas bandas. Formada em 2003 pelas irmãs Sierra e Bianca Casady (respectivamente Rosie e Coco), a dupla cria um indie rock ambiente minimalista e intimista. A abertura fica por conta de Adriana Calcanhoto — que é fã da banda e abriu mão do cachê só pela oportunidade de abrir para as irmãs — acompanhada de Moreno Veloso e seu amigo Moreno.

Pena que a divulgação seja tãaaao ruim.

Não confundir o Armandinho gaúcho maconheiro wannabe baiano com Armandinho, o guitarrista baiano filho de Dodô & Osmar (do Dodô ou do Osmar?). Este toca no carnaval baiano em cima de trios elétricos desde a infância, com aquela guitarra baiana (está pra guitarra como o cavaquinho está pro violão, e antigamente era chamado pau elétrico), usando um pouco de seu virtuosismo nos axés que animam as micaretas.

Ou seja, Deus não nos deu apenas um Armandinho de merda, mas dois.

Para finalizar a brincadeira, o vídeo de “Desenho de Deus”. Notem como ele lembra (de rosto) o Evandro Mesquita uns 50 anos mais jovem.

Armandinho

Armandinho não é one-hit wonder. Ele tem mais maravilhas em seu repertório (perdão pelo trocadilho).

Após baixar “Desenho de Deus”, tive que procurar a letra. Não que ela seja extensa, mas a pronuncia dele é péssima, comendo as últimas consoantes das frases (reza a lenda que o cara é gago). Ao cantar seu hit, o que escutamos é o seguinte:

“Quando Deus te deseô
Ele tava namorânu
Quando Deus te deseô
Ele tava namorânu
Na beira do má
Na beira do má do aô”

Estando com o site de letras aberto, não pude deixar de notar o nome curioso de muitas das composições do moço. E fiquei curioso para fazer uma mais profunda incursão no mundo armandinhesco.

armandinho - armandinho

A essa altura, todo mundo já sabe que Crazy, do Gnarls Barkley, é a Hey Ya do ano, séria concorrente ao título de melhor do ano, e possivelmente a melhor música pop* da segunda metade desta década. Mas esse ano (que ainda está meio longe de terminar) também já produziu algumas músicas horrendas, daquelas que você sente inveja de quem é surdo e que quando toca dá vontade de enforcar o DJ (sem trocadilho). Eis a lista de piores músicas de 2006, até o momento (coincidência ou não, a grande maioria têm nomes de quatro palavras).

Super Massive Black Hole, Muse: todo mundo sabe que Matt Bellamy (aliás, que porra de nome gay, literalmente) é um punheteiro, trabalhando à exaustão em todas as músicas a mesma fórmula de riff pesado + virtuosismo desnecessário + vocais sussurrados à la Thom Yorke resultando em um über-Radiohead sem talento para criar ao menos uma melodia decente. Mas eis que em 2006, quando os fãs esperavam mais do mesmo eles lançam esse single, algo de fato diferente de tudo que fizeram até agora. Mas diferente não significa melhor, e em verdade, Super Massive Black Hole é tudo menos melhor que qualquer outra coisa. Pegue uma base do De Falla — riff e batida, da fase miami rock –, vocal falsetto à la Prince, adicione um pouco da sensualidade e ginga do Suede da fase decadente e voilà, a pior mudança de rumos artísticos da década.

Get Myself Into It, The Rapture: o Rapture foi a grande surpresa do Tim Festival 2003, uma boa compensação ao show frustrante do White Stripes e ofuscando os sempre chatos do Super Furry Animals. Só depois escutei o disco de estréia deles, Echoes, e percebi que não era lá essas coisas, e se tivesse escutado antes provavelmente teria tirado a hora do show deles para ir ao banheiro (como pelo menos metade do público fez). Get Myself Into It não é horrenda, mas não empolga, é repetitiva como as outras do primeiro disco, e me faz concluir que se não fosse a onda disco punk a arrastá-los, eles não estariam em lugar algum.

When We Were Young, The Killers: admitir que o Killers tem boas músicas é tão difícil quanto admitir que você gosta de Skiny — é uma coisa detestável, mas há algo ali (provavelmente Glutamato Monossódico) que dá um sabor irresistível a nojenta mistura. Pior ainda é admitir que em Hot Fuss havia uma música boa (admito, gosto de “Smile Like You Mean It”) e pelo menos outras 6 passáveis (grande mérito em época de bandas com uma ou duas músicas — sejamos sinceros: alguém gosta de outra coisa do We Are Scientists que não The Great Escape ou Nobody Move nobody get Hurt?) Enfim, a música nova é a confirmação do quanto eles são ruins. Se as músicas do disco anterior pelo menos eram catchie, essa música não pega nem com macumba, impossível de gravar na cabeça de primeira. Se bem que isso pode até ser bom.

Because I Want You, Placebo: confesso, fui fanático pelo Placebo. Ainda gosto muito dos dois primeiros álbuns. Mas a fama fez mal, provavelmente atrofiando a criatividade de Brian Molko, tentando ser mais pop e piorando a cada disco. Because I Want You é quase um resumo dos argumentos dos detratores da banda. Uma letra estúpida, rimas mongóis, vocal anasalado da Sra. Molko, refrãozinho catchie vagabundo. Soa como o que uma banda de moleques de 15 anos faria tentando imitar Placebo.

Alguma música do Eraser, de Thom Yorke: Pegue o Kid A e tire todas as guitarras; pronto, você tem o álbum mais chato do Radiohead. Isso é Eraser.

* tradução da expressão “boa música pop”: aquela que você escuta 20 vezes seguidas sem cansar, que não vai soar datada ano que vem e que quando tocar daqui a 15 anos você não vai ter vergonha de admitir que gostava.

Escrevi sobre o fodástico disco novo dessa puta banda lá embaixo e esqueci de linkar o sensacional clipe do primeiro single (que leva o nome do disco), o ótimo Empire.

Para entender porque tantos adjetivos, cliquem na imagem abaixo:

kasabian - Vídeo de Empire no Youtube