
Antes que digam que eu sou apenas um engraçadinho, falando mal de algumas (horríveis) bandas, vamos variar e não apenas falar bem, mas também dar uma má notícia a infelizes incautos de plantão:
o show que eu mais aguardava no ano passado já está com os ingressos esgotados; isso mesmo, não tem mais ingresso para o TV ON THE RADIO. (Antes que digam que eu sou louco, a explicação: eles tocariam em SP na véspera do Claro que É Rock, mas cancelaram a apresentação pois o pai do vocalista faleceu)
Caso você não tenha comprado seu ingresso, vai perder o show da banda que fez o melhor álbum do ano até o momento (ao mesmo tempo o pior nome de álbum da década). Aclamado pela crítica, elogiado até mesmo pela bíblia indie Pitchfork, Return To Cookie Mountain
é simplesmente… sublime como um Louis Armstrong nos melhores momentos, denso como o smog de SP em um dia de seco de inverno.
O primeiro disco, Desperate Youth, Blood Thirst Babes — esse sim, um ótimo nome — era um pouco decepcionante, pois começava com as excelentes “Wrong Way”, “Staring At The Sun” (predileta de 9 entre 10 fãs) e “Dreams”, e depois perdia o pique, já que nenhuma canção era tão boa quanto as três primeiras, e eram meio arrastadas. O álbum não era tão coeso quanto o primeiro EP da banda (o estupendo Young Liars, que já continha “Staring At The Sun”), o que levou a dúvidas sobre quais rumos seriam tomados para o segundo disco, desta vez por uma major.
A mudança para uma grande gravadora (a Interscope/Universal), não apenas foi uma ótima mudança profissional, como também levou o som deles a outros níveis. Se nos três primeiros lançamentos eram marcados pelo minimalismo (além do EP e do álbum citados, havia também uma demo de 18 faixas chamada OK Calculator), o cuidado com as texturas sonoras foi ainda mais bem trabalhado, deixando o som encorpado, sem perder a identidade e sem soar over. Escutem “Province” (sim, o backing vocal é do David Bowie) e comprovem: é como comer um bom filé com chutney, dá para sentir cada nuance, cada particula diferente te levando a descobrir partes da sua língua (ou no caso, ouvido) que você ainda não conhecia
Bem, você não conseguiu ingresso. Se você ainda não conheceu o TV on the Radio, sugiro que você evite escutá-los. Caso contrário,você pode se matando de arrependimento.
TV On The Radio: a maior concentração de negros do indie rock americano. E um nerd.
PS: dois vídeos excelentes dos caras ao vivo. Com Trent Reznor e Peter Murphy do Bauhaus, cantando “Dreams”. E ao vivo no David Letterman.