Archive for December 2006

header dmoreaux - Por D\'Moreaux

2006 foi um ano excelente. Ao mesmo tempo, foi provavelmente o ano em que menos escutei música (sem exagero, nos últimos dez anos não houve um único ano em que eu tenha escutado tão pouca música quanto em 2006). Maioridade? Trabalho? Não sei. Não vou criticar a qualidade das bandas que surgiram esse ano, tampouco vou dizer que rock bom era o rock que eu escutava na minha adolescência. Isso é papo de reacionário. Mas sinto que, sem dúvida, o fato de ter corrido pouco atrás de música me tornou um sujeito mais… hmmm… menos preocupado com música, daí menos preocupado at all (música sempre foi uma grande preocupação). Em vez de correr atrás dela, deixei ela me alcançar. Então, minha lista de melhores do ano (às vezes lista, às vezes apenas uma declaração).

Melhor disco: Return to Cookie Mountain - Tv On The Radio

Em quase toda lista de melhores desse ano, esse disco estava presente. Nas listas que eu respeito, o lançamento desse ano do TVOTR estava sempre entre os 5 melhores, mas nunca em primeiro. Exceto na lista do Beck. Beck é um dos meus maiores ídolos, mas o disco dele não tocou fundo em mim (é bom, mas não excelente). Return to Cookie Mountain é um disco que eu vou continuar escutando anos a fio, vou escutar muito ano que vem. A produção maravilhosa de David Sitek encontra composições excelentes (muito melhores que as do primeiro disco da banda ou do debut do Yeah Yeah Yeahs), os vocais de Abedimpe podiam estar recitando uma receita de bolo que me emocionariam, as texturas e o minimalismo do primeiro álbum foram elevadas à n-ésima potência.

E não vou contrariar o Beck.

Melhor música: “Rocks” - Caetano Veloso

Que outra canção tem uma frase como “Tatuou um ganesh na coxa”? Aliás, que outra música começa com “Tatuou um ganesh na coxa”? Caetano pode tudo (musicalmente falando), faz de tudo e continua soando excelente.

Quem não curtir pode morder o próprio cu.

Melhor show: New Order

O show do Caetano no Circo foi foda, mas a cada três anos no máximo podemos contar com um novo show dele no Rio. A apresentação do Franz Ferdinand também no Circo foi destruidora, mas o Franz não tem o peso e a importância do New Order — na minha vida e na vida do rock.

O show do New Order não foi perfeito, o Vivo Rio é uma merda, mas vê-los ao vivo sem serem caricaturas de si mesmos já seria compensador. Vê-los mandando muito bem, com um puta clima de despedida foi emocionante. Ver Peter Hook, Stephen Morris e Bernard Sumner em ação juntos, tocando clássicos com o mesmo vigor de quando eles foram compostos foi acachapante.

E ainda vi 75% do Joy Division tocando “She’s Lost Control”. Nunca imaginei que fosse ver isso.

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ho ho ho,

feliz Natal para todos… esse é o último podcast do ano. muita rabanada e bolinho de bacalhau para todos.

Dec 22

São Caetano

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Esmagador. Acachapante. Violento. Sarcático. Divino.

Caetano é rei, e fez uma apresentação incrível no Circo Voador, ontem. O que mais esperar do cara que é o mais importante artista brasileiro?

Chico Buarque e Caetano Veloso são os dois maiores artistas vivos do Brasil. Mas se de um lado Chico é unanimidade (quem diz não gostar dele é retardado ou babaca que quer ser do contra — ou foi chifrado por ele), Caê polariza opiniões. Há quem o ame (idolatre) ou o odeio (a ponto de ter ojeriza do seu nome). Mas é impossível ser neutro a Caê. Ele fala merda (muita), compôs “Leãozinho” e interpretou “Sozinho”. Mas não dá para negar — ele é fudamental a cultura musical brasileira, é fundamental a cultura brasileira.

Enquanto Chico Buarque ganha os corações com seu bom mocismo (quebrado raras vezes, como na separação de Marieta Severo ou quando foi pego aos amassos com uma mulher nas águas do Leblon — coisa para dar credibilidade a figura, afinal, ele é ídolo, não santo), Caetano é um escroto. Um gênio.

Chico e Caê. Os melhores letristas do Brasil. Não há ninguém que chegue perto deles (seja no rock, mpb etc).

Caê

Caê

OK, o blogue da Hang The DJ não devia ser usado para falar de política, mas dessa vez não deu para deixar passar em branco:

Clique aqui para conferir a lista dos parlamentares que aprovaram o aumento de 91% no salário bruto dos deputados e senadores.

Espalhe essa.

Dec 19

Obina Seleção

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header dmoreaux - Por D\'Moreaux

Obina - Seleção

Recado tá dado.

Dec 17

Gatorra

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header dmoreaux - Por D\'Moreaux

Caralho… sensacional a experiência… simplesmente demais, vai demorar uma semana pra digerir toda a informação.

Ainda consegui bater um papo com o Tony, e mexer na gatorra do Frân Ferdinand (quando esteve no Brasil, Nick encomendou uma gatorra — a sétima) que estava sendo testada antes de viajar para a Inglaterra.

Gatorra - do Tony

Close na Gatorra

Gatorra

Dec 16

Podcast 21

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header dmoreaux - Por D\'Moreaux

Clique aqui para acessar o penúltimo podcast do ano.

Essa semana, uma edição sui generis. Não de propósito, de fato não conseguimos cruzar uma relação entre as músicas. Divirta-se!

header janco - Por Janco Tianno

Não é quando dão capa pra ela nos cadernos de cultura. Não é quando a gravadora gringa contrata. Não é quando a NME fala de vocês semana sim, outra também. Não é quando todo mundo resolve remixá-las e suas músicas tocam nas pistas do mundo todo.

É quando um cara desse calibre sobe no seu palco e sabe a letra de uma música que nem é seu maior hit.

Parabéns Canseide.

header dmoreaux - Por D\'Moreaux

Tony da Gatorra, sábado, 16/12, às 21h, no Espaço SESC (na Rua Domingos Ferreira, 160, Copacabana).

. Só Protesto - Estréia carioca de Tony da Gatorra, ídolo do underground gaúcho, com suas canções de protesto contra a hipocrisia humana, tocando a gatorra, um instrumento por ele inventado, um misto de guitarra e bateria eletrônica dos anos 70.

Myspace do Tony

do blog do Tony:

“Eu estou feliz porque vou entregar a 7ª. Gatôrra para o Frân Ferdinand e em 16 de dezembro estou no Rio de Janeiro para um chow inédito, e em abril do ano que vêm vou para a europa, mas antes em janeiro vai ser lançado o meu CD.”

E o preço é R$12 (a inteira).

Nos vemos lá.

Dec 02

A Nokia entende

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Antes de mais nada, mal aí o atraso. A vida acadêmica tá dando uma corrida na boêmia.

header janco - Por Janco Tianno

Depois de termos eventos e shows criticados por estrutura (problemas de som, localização e até preço de entrada), nada como ver uma coisa realmente organizada. Pena que pra isso a gente tenha que pegar a Dutra. Fica mais uma vez aquela impressão chata de que em SP as coisas funcionam e no Rio não. No caso do Nokia Trends desse ano, a impressão é acertada.

A chuva torrencial que caiu naquele sábado me deixou bem apreensivo. Afinal, a noite anterior que passei no Anhembi - para um Skol Beats com FischerSpooner e Basement Jaxx - havia me rendido umas das piores gripes da minha vida. Saber que o haviam feito uma área menor e coberta me fez deixar o guarda-chuva pra trás, mas daí surgiram outros questionamentos. Será que o som ia segurar? Com dois palcos, não ia embolar tudo? E as tais áreas multimídia, como seriam, e onde?

Assim que entrei, foram por terra. Um espaço bem arrumado e com som ambiente agradável servia como hall de entrada e corredor principal, com os tais espaços multímidia (assistir filmes no celular, colocar os seus no telão e outras coisas do gênero que ajudam a vender o festival pra mídia como “inovador”) se espalhando, assim como bares. Daí, outra surpresa agradável: a cerveja nem estava absurdamente cara. Por R$4, na noite paulista, nunca tinha visto.

Outra boa surpresa. Apesar do nosso quase atraso, não havíamos perdido nada do que queríamos ver. O Soulwax começou pouco depois de entrarmos, encontrando metade da noite carioca no processo. O bom eletrônico deles ajudou o clima a ficar bem legal. A chuva parecia ter segurado um pessoal em casa, e o som estava muito, muito bom. Deu pra gravar um trechinho.


A segunda atração era um dos principais motivos pra viagem. E o Hot Hot Heat não esteve nem perto de decepcionar. Um show irreprensível, que ainda contou com a participação do batera da atração seguinte, o We Are Scientists. Empolgou a platéia, e no fim da noite era apontado como o melhor por 9 em cada 10 presentes. Fodão mesmo. Fiz alguns vídeos.

O início, com direito a câmera-indo-em-direção-ao-palco.

Bandages, fechando o show e com o inevitável “obrigado”.

We Are Scientists entrou com a platéia ganha, e manteve o nível. Pra uma banda razoavelmente desconhecida, com um único disco e dois hits, conseguir empolgar foi um feito e tanto. Mas o clima da noite era ótimo e eles souberam aproveitar. Destaque para os papos de bêbado entre vocalista e baixista. Ao fim, a brodagem com o Hot Hot Heat aparece de novo, com a banda canadense se juntando à californiana no palco.

O finzinho com The Great Escpae e membros do Hot Hot Heat espalhados pelo palco.

Minha idéia aí era pular o Bravery e curtir o 2 Many DJs no espaço Club, onde se revezavam DJs. O fato de TODOS os shows acontecerem exatamente no horário previsto ajudou, e lá fui eu ver de novo 50% do Soulwax. Mas, pois é. Eles começaram o set com alguma coisa new rave, tentaram mandar um Cansei de Ser Sexy. E, vendo que a platéia paulistana (formada basicamente por metrossexuais e patricinhas de óculos escuros) da tenda não correspondia, voltaram-se pro “electro” farofa. Pena. Um dia quero ver um set dos belgas como os que rolam gravados na internet.

Um pit-stop no banheiro - com folhas de eucalipto no chão daquelas cabines químicas, idéia bem sacada pra disfarçar o futum que pareceu funcionar - e peguei o Bravery na metade. A platéia se dividia entre fãs (que se divertem até com Fearless) e gente meio desinteressada, tirando pelos hits. Bom que nesses momentos sem graça dava pra conversar com a dupla de frente da banda anterior. Os cientistas Keith e Chris estavam no meio do público, e sempre super solícitos. Exceto pela menina que pedia um pouco de atenção demais ao vocalista, enquanto ele respondia “Seriously, my girlfriend would kill me“.

janco e chris - Janco Tianno e Chris Cain, do We Are Scientists

Janco Tianno & Chris Cain. E a cerveja do backstage era Stella Artois!

A hora avançada e o show do Bravery tiveram o efeito óbvio. A platéia já estava desabando de sono às quase 5 da manhã, quando o Ladytron subiu no palco. O som impecável a noite inteira ajudou muito o som calcado em synths. Seria excelente como um chill out do WAS. Mas depois daquela maratona toda, não segurou. meu senso crítico já não estava desperto o suficiente pra lembrar de nada, além do que o som realmente estava impecável até o fim. Saí no que parecia ser o final, prevendo uma luta ferrenha por táxis quando acabasse o show. Deixei pra trás uma banda que tenho vontade de ver de novo, e uns 3 mil paulistanos de óculos escuros que bombavam ao som de ume eletrônico que não me arriscaria a definir, mas nem parecia bom.

Enfim, uma noite pra provar a todos os outros fetivais que dá sim pra aliar um bom line-up, ótima estrutura e preços razoáveis (R$60 de entrada, R$4 pela cerveja, R$2 pela água). Ouviram, Vivo e TIM?

*Mal pelo péssimo trocadilho do título.