Archive for October 2008

Depois de levar Aaron Dessner e Stine, sua namorada dinamarquesa à espetacular casa do não menos fantástico Bob Nadkarni favela Tavares Bastos na quarta a noite (prometemos um pôr-do-sol espetacular mas burramente não me dei conta de que o sol se põe atrás da varanda casa), e ficar horas batendo papo com o dono da casa (Bob foi correspondente da BBC no mundo todo, e há quase 30 anos decidiu morar no lugar com uma das mais esplendorosas vistas do Rio), quinta-feira perguntamos se eles não queriam ir ao Maraca, onde ia ter jogo do Flamengo (não iria ver jogo de nenhum time que não fosse o meu).

Achamos bem legal ele gostar futebol (chegou a jogar na universidade), eles ficaram empolgados com a idéia. Quinta no final da tarde (quando ele já havia trocado o conforto do nosso lar tijucano pelo luxo do Sheraton) nos surpreendemos quando ele ligou avisando que não apenas Stine e ele, mas outras cinco pessoas iriam conosco ao jogo — um jogo que, a princípio, eu não fazia a mínima questão de ir, uma vez que nos últimos três jogos vistos no estádio o Flamengo tomou sete gols e não marcou nenhum. Em que pese o adversário ser o fraco Coritiba, é justamente nos momentos de moleza que o Flamengo vacila, e não curtia muito a idéia de levar sete pessoas que nunca foram ao Maracanã para ver um papelão do meu time (se bem que, nos últimos tempos, o maior show do Flamengo tem vindo das arquibancadas — e apenas delas).

Presos no engarrafamento carioca típico da hora do rush, eles demoraram quase duas horas para chegar a nossa, casa. Do lado de fora do estádio, muita gente ainda corria em busca de ingressos, e o cenário é bem pitoresco para um estrangeiro acostumado a organização dos eventos esportivos no primeiro mundo: muito cocô de cavalo pelo chão (da polícia montada), helicóptero a menos de 50 metros do chão levantando muita poeira, e bilheteria com uma chapa de aço e uma janelinha de dez centímetro a um metro do chão, o que obriga quem compra a quase se agachar e gritar para ser ouvido.

Entramos no Maracanã com um bom atraso, e, antes que pudéssemos escolher nossos assentos, gritaria da torcida, nos viramos, e Obina está estendido no chão. Pênalti! Instantes depois, Leo Moura cobra e a torcida explode. Os sete estrangeiros (Stine - pronuncia-se “istina” - Aaron e seu irmão gêmeo, Bryce Dessner, Ben e Kyle, músicos de apoio da banda, e as namoradas destes dois) tem pela primeira vez o gostinho de estar in loco com a maior torcida do Brasil. E pela primeira vez na vida, descobrimos logo em seguida, estão assistindo a uma partida de futebol profissional no estádio.

Uma vez instalados, começamos uma aula de Maracanã e Flamengo. O que eles gostam é de conhecer os palavrões — recurso lingüístico utilizado em profusão em estádios.

Um gol do Obina e termina o primeiro tempo. As namoradas de Ben e Kyle (seus nomes me fugiram, desculpa) abusaram da produção e no intervalo precisam ir ao banheiro retirar as meias-calças (estava muito quente). Segundo tempo começar bem morno, o que dá oportunidade de bater mais papo. É legal descobrir que, em que pese a fama, a grana e as constantes viagens ao redor do mundo, o pessoal é gente finíssima, dispostos a se divertir e desprovido de qualquer afetação.

Meio do segundo tempo, golaço do Ibson, logo seguido do gol do Maxi (”sabiam que ele é primo do Messi, do Barcelona?” — eles ficam surpresos com a informação) após uma espetacular demonstração de raça do Obina, e toda minha indiezice vai pro espaço, tiro a camisa e começo a rodar gritando o hino do clube e a versão rubro-negra do hit “Can’t take my eyes off of you” - a qual eles adoraram.

Perto do fim do jogo, Aaron fica apreensivo com a saída do estádio. Quando sobe a placa anunciando os acréscimos, decido que já está de bom tamanho e partimos. E eis que instantes depois escutamos gritos eufóricos da torcida, e voltamos para as cadeiras. A torcida começa a gritar “Obina”, mas logo os gritos são sufocados por outros mais fortes clamando “Bruno”. Os gringos acham divertidíssimo que o goleiro seja meu xará.

Atendendo aos pedidos da galera, Bruno atravessa o campo e marca o quinto gol da noite. Contagiados pela empolgação da torcida, e de quebra pelo belo futebol apresentado, saem do estádio mais sete rubro-negros.

Daquelas coincidências que provam a teoria dos seis graus de separação.

A melhor amiga da amiga dinamarquesa da minha mulher disse que vinha ao Brasil acompanhar o namorado, cuja banda ia tocar aqui no Rio.

Descobrimos que o tal namorado é Aaron Dessner, baixista do National. Como nunca vieram para o país, o casal decidiu chegar uns dias antes para conhecer o Rio, e depois de recomendarmos opções baratas de albergues, eles decidiram ficar lá em casa (na Tijuca) como modo de conhecer e se integrar melhor ao cotidiano da cidade. Chegaram ontem, comemos no Baixo Gávea (não, não foi a tão famosa e superestimada picanha do Braseiro, mas um bom filé a Osvaldo Aranha), descobrimos que ele é um ferrenho defensor do Obama (legal, tem um engajamento parecido com o que tenho pelo Gabeira, salvas as devidas proporções), e só voltam para Nova York dia 2, a tempo das eleições americanas.

Então, se você passou ontem pela Saens Peña e alguém parecido com o baixista ou guitarrista do National (são irmãos gêmeos), era o próprio.

The National no David Letterman

The National - Mistaken For Strangers

Oct 22

Tim Flop

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E quem esperava ao menos uma atração internacional do terceiro escalão desconhecida por aqui para o lugar do Paul Weller, tomou uma ducha de água fria hoje com o anúncio de que Arnaldo Antunes e Roberta Sá foram escalados para o lugar do reverendo.

É só mais uma mancha no currículo do Tim desse ano, que está mandando muito mal junto ao público: preço dos ingressos, escalação, divisão dos palcos, demora na informação sobre devolução de dinheiro.

E foi pro espaço o sonho de ver Spiritualized no Tim. Bem, pelo menos sonhar não paga imposto.

Assim como a Hang the DJ, a trupe do Hermes e Renato também voltou a atividade recentemente. É o melhor do humor nacional (não que a concorrência esteja tentando com muito afinco superá-los).

Uma das vítimas do retorno foram as bandas engraçadinhas lesbian sexual que cantam em portuinglês (CSS). Oh, mas o que há de mal no CSS? Para mim, nada. Mas feio é ficar sem fazer piada, ou ficar bajulando, ou guardar crítica. Enfim, boa zoada, divertidíssimo.

Reformulado e mais bem produzido, pero sin perder la toscura jamás.

Comentei aqui, Matias em seu blog e opiniões acabam tomando forma de campanha

Bem, para sonhar ainda não tem que pagar imposto.

Se rolar, vai ser um…

Enquanto não confirmam quem entrará no lugar do Paul Weller, levanto aqui uma possibilidade: dias 29 e 31 de outubro o Spiritualized toca em Buenos Aires (sim, dois dias na capital portenha, e nenhum no Brasil).

Como a essa altura vai ser difícil trazer um astro do primeiro ou segundo escalão internacional, podiam trazer o Spiritualized, relativamente desconhecido no Brasil. Eu até aturaria o show do Camelo na primeira fileira por conta disso.

Dedos cruzados, sonhar é de graça.

PS: enquanto isso, no Terra, Jesus & Mary Chain tocam às 21h30, com Kaiser Chiefs fechando a noite “só com hits”. Acho que isso quer dizer que o show do Kaiser Chiefs vai ter uns 15 minutos, e uma hora de coveres, não?

Depois de cancelar os one-hit wonders do Gossip (alguém se importou) e dar como opção para quem comprou ingresso receber outro ingresso para qualque atração (hein? tá sobrando tanto ingresso assim?), é cancelada a vinda do reverendo Paul Weller, uma das poucas atrações de verdadeiro destaque (pelo menos para mim — era o único show que eu ia ver).

OK que o Tim Festival sempre prezou o ambiente semi-intimista em espaços para no máximo 4 mil pessoas, mas essa equação de atrações fracas + preços estúpidamente caros parece que está resultando em pouco interesse do público e, o que é pior, pouco interesse dos artistas (o Gossip pronunciou-se dizendo ter havido um trágico conflito de agendas, e o Paul Weller teve problema com o visto do pianista — e convenhamos, agendas e vistos são coisas que precisam ser vistas com um pouco mais de antecedência).

E assim caminha o últimos dos grandes festivais de rock do Rio. Não me surpreendo se não acontecer por aqui ano que vem, ou se mudar de nome mais uma vez.

Paul Weller não vem mais pro TIM Festival.

A culpa dessa vez é da burocracia. Mais na Folha.

Isso o twitter do Festival não fala, né?